sábado, 26 de dezembro de 2009


* I'm not saying that this is simple...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Chegar lá

"E agora quero a palavra reduzida ao simples gesto de agarrar alguma coisa, pura denotação, linguagem referência, mão estendida apontando para esses pedaços de realidade - ou então a festa com todos os seus fantasmas sentados no sofá de absinto enquanto sangram os dedos da memória, tudo verdadeiro no limite do que possa ser verdade, o caderno escrito de trás para diante e o livro lido a partir da última página, e também poderia falar das nuvens de vapor e cortinas de fumaça nos quartos, e narrar a história completa das febres tropicais - porém só nós dois fomos capazes de nos mover nesse plano intermediário em que realidade e sonho se confundem, tocados pela sugestão de outra cena ou situação. Essência, é esse o nome da nossa transação. Essência, essência! - grita a legião dos Irreais desde o bojo de sua existência provável. Essência, o verdadeiro nome do jogo de mutações. Desnecessário falar em alucinações - é como atravessar uma parede invisível, e já estamos lá. O texto febril. As luzes acesas. As luzes acesas. As luzes - acesas. Por exemplo - mas o número de exemplos é maior que toda a existência - por exemplo as luzes acesas, rebatidas meio cruamente pelos azulejos brancos iluminando nossos corpos enquanto nós nos preparávamos para começar mais um jogo amoroso. Lembro-me também das praias desertas, percorridas de ponta a ponta. Ou quando descobrimos aquela cachoeira no meio do mato, aquela cachoeira que devia ter uns 30 ou 50 metros de queda livre, seus respingos gelados nos alcançavam na margem, impossível chegar muito perto - aquela cachoeira descoberta no meio da mata nos induzia à cumplicidade. As luzes acesas. Cumplicidade. Essência. E aquele espelho antigo - aquele espelho antigo bisotado, patinado, recoberto pelo amarelo do tempo - aquele espelho antigo nos refletiu durante uma tarde. Estava na penteadeira diante da cama no quarto do casarão colonial de fazenda, com os demais móveis maciços e pesadões e o cheiro de pó, de coisa antiga do quarto. Também encontrávamos muitos santuários religiosos em nossas viagens, era como se nos impulsionasse uma atração magnética pelo sagrado. Certas tardes insuportavelmente quentes, abafadas demais. Houve um tempo em que. As luzes. Essência. Impregnando irremediavelmente tudo o que foi feito depois. Como a transgressão é quotidiana e imperceptível, como ser maldito é apenas uma espécie de indiferença, lassidão, o deixar-se levar. O cheiro de pó sobre os estofados. Eu quero que tudo fique muito claro. Não só as palavras, o texto, porém outro plano, agora definitivamente grudado ao real. Ficou um cheiro estranho, impregnando a pele. Tudo verdadeiro. Tudo. Mas esse gesto de contar histórias impossíveis, qual é seu significado? Que botão apertei? E agora, não deixar pedra sobre pedra. Transformar o cotidiano em hipérbole, labirinto onde todos se perderão brincando despreocupadamente. A opacidade é quase banal. O jogo da vida e da morte é trivial. Despertemos a irascível criança que habita dentro de cada um de nós. Não há mistério. Que não se fale em loucura. O lado de lá, o lado de lá que caminha suavemente sobre suas sandálias de sola de borracha, o lado de lá disfarçado em arte plumária, o lado de lá que sorri afavelmente enquanto nos olha de soslaio, o lado de lá é simples e está aqui, basta estar aberto e disponível. Somos deuses."

Claudio Willer

-sou fã-

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009


sábado, 21 de novembro de 2009

Do ventre dela...

O que eu disse foi:

"Que saudades do MUNDOSÃOPAULO..."

E a resposta dela foi:

"... e como o MUNDOSÃOPAULO sente a tua falta também! minha filha tão querida por todos que um dia te conheceram! é exatamente isso que sinto no ar quando caminho nessa avenidapaulista,nessas vilas:mariana e madalena! sinto teu cheiro,escuto tua voz reclamando do lado sampasujo...mas junto vislumbro,vibro e me encanto com teu riso alegre, urbano, cheio, esperto, largo, repleto e satisfeito de cultura e arte que por aqui transbordam e que vc tão bem sabe sugar c/ a tua alma, c/ a tua graça, c/ a tua musicalidade!

sinto tudo isso nas andanças por sp... tudo isso que revela sem nenhuma sombra, a tua sintonia e conseqüente tesão, pouco expresso, pela origem da tua personalidade aqui construída, c/ hábitos e desejos próprios da metrópole - tua irreverência, tua crítica e teu docemeigo olhar formatados naqueles anos de vida paulistana em que vc viveu incontáveis momentos ao menos bons,senão fantásticos...e muitos foram...!!

tudo isso está aqui.. menos vc... tudo isso que faz parte de vc mas hj vc não quer fazer parte de tudo isso. tá tudo aqui e vc tá aí...tão longe, mas preenchida de tudo isso que sampa te permite ser hj e sempre será...

acima ou abaixo da linha...a do equador. mas às vezes tb, por tudo isso mesmo, anda por aí, cheia de saudades desse MUNDOSÃOPAULO.

amo vc inteira, longe, perto, aqui, aí... no mundo, do mundo... no asfalto, no mar... atrás ou diante da câmera, no palco, na platéia ... na VIDA!!!"

Essa é minha mãe! Meu amor maior.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

uma noite meio F5...

As vezes essa exposição gratuita, intensa e explosiva da minha fragilidade é só uma carência instantânea de uma típica romântica incurável, é como um grito de socorro de alguém que não está em perigo. É como se eu grifasse meu nome com o marca texto amarelo. É um sinal de trânsito amarelo piscante; ATENÇÃO! Eu preciso saber que se o tombo for grande, você vai colocar um colchão para que eu não me machuque. E embora eu tenha feito considerável amizade com a tal maturidade nos últimos tempos, sempre existirão meus dias viscerais 'Samanthosos'. A vida não é e nunca será assim tão simples e individual pra mim. Eu venho aprendendo na raça e até me orgulho disso. Você pode até achar tolisse da minha parte, mas é bom saber que nosso sempre ainda está em vigor. Posso dizer que neste momento sou só riso e agradecimento.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DO DESEJO

"Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida.
Árdua. Construtor de ilusões examino-te sôfrega.
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer.
E tu fosses o dia magnânimo.
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer."

( Do Desejo - 1992 )

Hilda Hilst

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Caindo na real

Como eu falo coisas da boca pra fora... Acho que faço isso tentando me convencer das coisas. Mas ontem eu FINALMENTE me dei conta de TUDO em mim. E até segunda ordem, está TUDO resolvido. Me livrei um pouco daquelas medidas radicais... entre 8 e 80 há um longo caminho. Os últimos dias foram torturantes com pensamentos massacrantes. Porque na verdade estamos sempre mais preocupados em que satisfação vamos dar aos outros sobre nossa decisão do que nos empenhamos de fato em fazer boas escolhas. Ui. Me sinto alividada! Agora tudo vai fluir, I'm sure! Não adianta deixar tudo pairando no ar, o universo quer ouvir as coisas da sua boca. ps: como é necessário estar só para se dar conta de certas coisas.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

no caminho da subjetividade humana

Na calma da água ou em algum dos milhares tons de azul do céu... as vezes posso me ver lá. Raro o segundo em que consigo me lembrar do que faço parte. Há sutileza no olhar, há intensidade no viver, há também o medo inevitável de estar vivendo em vão. Há vida que se pintar. Começo a encontrar forças aqui em mim e é um bom remédio tecer a própria teia. Não há força que venha de fora que se compare com a força interior, única. Salas fechadas, conversas bobas e a superficialidade que o ser humano insiste em viver, facilitando a fuga da própria mente. Tão bom se encontrar, se reconhecer. Tão raro momento. Viver as escolhas feitas com mais tranquilidade, na maior parte do tempo é somente isso que precisamos entender. A procura pela sabedoria de não transformar momentos bons e únicos em rotinas de peso. Há amor e mar, ar puro e céu azul. Há que se viver um momento de cada vez e essa é a parte mais difícil. Não se pode perder a consciência de que ninguém mais no mundo exerce poder sobre você e suas escolhas quanto você mesmo. A cada segundo há a vida toda. Assim se faz viver a eternidade do sábio. Parar para olhar e dar mais valor a isso. Ficar em silêncio nas raras oportunidades de fazê-lo. Velas acesas e o olhar direcionado para dentro. Não há nada nem ninguém capaz de cumprir a sua existência além de você. Nada vale mais do que o auto-conhecimento. E o mundo externo pode ser podre se não houver a consciência dos próprios valores, quaisquer que sejam eles. Há que se existir com sabedoria, ainda que não se tenha a certeza do porque.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

to velha...

acabo de me dar conta!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

ME SINTO BEM

pronto, falei!

domingo, 20 de setembro de 2009

keep calm

Eu estava perdida nos ponteiros dos relógios ha dias. Sempre atrasada correndo de um lado para outro. Fazendo trabalhos quando deveria dormir e dormindo quando deveria estar desperta. Arrastando o corpo (e somente ele) até aquilo que se chama de trabalho. Não vou mentir que os quilos a menos viraram um efeito colateral positivo. Mas já os dias de cama decorrentes dos dias em que não se comia bem... esses não.

Esses últimos dias de paz me trouxeram de volta à mim. E há vida, há que se parar para viver um pouco. É necessário tempo. Olhar o teto, cozinhar, namorar, ler, sentar no sofá, respirar, ir a padaria, mudar os móveis de lugar, escutar novas músicas, colorir a casa, fazer um brinde de rosas, olhar no espelho. Há vida.


*Não devo mais me esquecer disso.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

VRAI?

CONSTATADO:

As pessoas não têm mais verdades.

Elas não têm vergonha de 'ser' exatamente o que não são.

Não titubeiam em levantar bandeiras que não apoiam

ou se fantasiar uma vida inteira se escondendo de si mesmas.

sábado, 5 de setembro de 2009

Por um lindésimo de segundo

Ando cinza e sem cabeça. Refém da rotina que assombra o suspiro. Acordo meio sem pele, couro cansado. Mente inerte e estática. Penso mas despenso, quase que todo o tempo. Mando parar. Não volto atrás por que não se comercializa essa opção. A vida que nos foi dada tem regras e uma das principais delas diz que deve-se andar pra frente. Nem o teto me distrai mais. A introspecção me foge, me trapaceia. Tudo se desencontra e eu assisto a tudo em silêncio, como que num ato assumido de convardia, porém sem orgulho. O que esperar? Nada dói, apenas perde a cor, o movimento. A leitura não salva mais, nem o sono, nem o porre, nem o sol. Talvez aquele olhar esteja sendo essencial. É isso mesmo, acabo de me dar conta. Eu não me perdi, não se trata disso. Eu estou aqui em mim, já não saio mais daqui. É que os dias iguais são angustiantes e impiedosos. E eu, meu próprio mistério.
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"tudo em mim anda a mil

tudo assim tudo por um fio

tudo feito tudo estivesse no cio

tudo pisando macio tudo psiu

tudo em minha volta anda às tontas

como se as coisas fossem todas

afinal de contas"



[do livro Distraídos Venceremos]



Paulo Leminski